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Então aqui vai o meu primeiro blogpost.
Vou tentar estabelecer uma ligação poética entre o projeto de bordado que vos trago aqui, e que marca o arranque deste espaço, e a história do “como tudo começou”, mas como não sou lá grande literata, vou tentar o meu melhor.
Já muito se filosofou sobre o ato criativo que nasce do Nada, sobre como o ser humano traz dentro de si o ímpeto de preencher um espaço vazio. Esta sensação não afeta todos da mesma forma, mas, já que estás nesta página a ler estas palavras, deduzo que um sentimento similar te tenha trazido até aqui.
Há muitos meses comprei uma moldura que achei bonita, sem ter um propósito concreto para ela. Estava convencida de que iria finalmente rever as milhentas fotos que tenho no telemóvel para imprimir uma delas e expô-la na estante da sala. Passaram tantos meses e a moldura lá estava, uma tela branca a olhar-me de frente, com um misto de reprovação e esperança dum futuro mais gratificante.

Acontece que ao mesmo tempo estava a passar por uma situação parecida no meu trabalho. O vazio da moldura era um espelho do vazio que sentia em relação ao meu emprego, ao propósito das minhas funções e do meu lugar.
E depois algo aconteceu, tomei uma decisão e avancei. Com medo, claro, consciente dos riscos e dos desafios que me esperavam, lançando olhares fugazes para trás, mas sempre avançando para a frente, afastando-me do que era e aproximando-me do que seria. E assim surgiu a Embroidery Concept Store.
Voltando à moldura, apercebi-me que a mesmo não tinha de servir somente para fotos, que podia emoldurar o que muito bem me apetecesse. Lembrei-me dum pedaço de tecido impresso que tinha comprado há uns meses. O padrão floral convidava ao bordado livre. Sim, livre, porque o que me apeteceria bordar, bordaria, outros motivos que acharia demasiado complexos podia simplesmente ignorar, e não era por isso que o resultado final não iria ficar bonito.
A moldura tem um tamanho de 13 x 18 e julguei que o bastidor lilás Nº2 da Nurge (feito em plástico resistente) seria a melhor opção para segurar o tecido que recortei, deixando uma margem larga em toda a volta. Soube logo que não me queria desviar muito das cores originais, pois a ideia de criar relevo e textura que não fosse evidente logo à primeira vista, agradava-me. Lancei um breve olhar para dentro da minha caixa organizadora de fios Mouliné da DMC e os tons saltaram-me logo à vista (esta é uma das minhas partes favoritas: encontrar a cor certa no meio de tantas outras, como quem procura uma peça de um puzzle, que é outra coisa que adoroooo fazer): o 3828, um dourado perfeito que amo, o 420 cor de avelã, o 839, um castanho escuro mais neutro, e por fim os dois irmãos 3740 e 3042, dois roxos com um tom mais acinzentado que contrasta com os outros mais quentes.


Depois da parte fácil, seguiu-se a mais difícil: não havendo instruções, nem exemplo a seguir, o que raio deveria eu bordar agora? Olhei para as pequenas flores e reconheci a oportunidade de fazer pontos margarida em algumas e pontos cheios noutras. Para os contornos iria usar o ponto atrás, os pontinhos iriam levar um nó francês, as folhas iriam ser bordadas com ponto folha e os caules com o clássico ponto haste.

Depois foi uma questão de avaliar como poderia alcançar um visual equilibrado entre as partes bordadas e as partes não bordadas. Embora tivesse intenções de planear como iria prosseguir, passei o tempo todo a questionar-me e a mudar de ideias. Foi um verdadeiro vai e vem, mas que, na minha opinião, faz parte da experiência. Lá está, como num puzzle, que só fica montado depois de experimentarmos muitas peças erradas.
E assim fui prosseguindo, decidindo mais tarde que me deveria aventurar um pouco no needlepainting, uma técnica avançada que raramente uso (por respeito por quem o faz tão bem, ao contrário de mim, e por medo de falhar redondamente). Trata-se de pontos retos que vão alternando entre curtos e longos, possibilitando transições de cores. O mais importante é a direccionalidade dos pontos para criar o movimento desejado. O que ajuda muitíssimo é traçar com uma caneta a direção que os fios devem tomar, de desenhar linhas de orientação.
Por fim, escolhi umas missangas de vidro Delica 11/0 da Miyuki, na cor DB1212 (um dourado amarelinho) para rematar algumas flores e dar um acabamento mais interessante e lustroso.

Sendo o desenho muito pequeno, usei sempre ora 1, 2 ou 3 fios no máximo (pois os fios de bordar da gama Mouliné são compostos por seis fios divisíveis).
Espero que gostem do resultado final tanto como eu e que se sintam inspiradas para pegar na agulha, pois a moldura já fez as pazes comigo. E eu com ela.
Até breve!
A vossa Inês

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